logo

Policial ouve tiros durante o seu casamento e interrompe cerimônia para perseguir criminosos

  • 9470
07/04/2022 10:30:44

Um casamento interrompido pelo som de tiros; uma noiva procurando abrigo contra o fogo-cruzado; convidados desesperados; um noivo e alguns padrinhos de armas em punho perseguindo criminosos. Trinta minutos depois, todos estão de volta rindo e celebrando a união do casal.

As cenas narradas acima (veja o vídeo) poderiam facilmente ter saído de um roteiro de um filme de ação. Contudo, elas aconteceram de verdade e fizeram parte de mais um dia violento da cidade maravilhosa.

O tenente da policial militar Rodrigo Prujansky, de 40 anos, estava em sua festa de casamento, em um condomínio de luxo na Zona Oeste do Rio de Janeiro, no último dia 26 de março, quando ouviu disparos de arma de fogo.

Nesse primeiro momento, apenas ele e alguns amigos que também trabalham na segurança pública perceberam algo de errado. Sua esposa, a funcionário pública Bruna Sant'anna, de 33 ano, seguia lendo seus votos, quando todos ouviram um barulho mais forte. Era a batida de um carro na entrada do condomínio.

 

O tenente da policial militar Rodrigo Prujansky, de 40 anos, estava em sua festa de casamento quando ouviu disparos de arma de fogo. — Foto: Arquivo pessoal

Após o pequeno susto, ela continuou declarando o seu amor. Porém, a paz durou apenas alguns segundos. Um novo som de tiro, dessa vez muito mais forte, foi a chave que ligou o sistema de alerta em todos os policiais que estavam curtindo seus momentos de folga.

A partir desse instante, Prujansky e mais quatro colegas de farda, além de um policial rodoviário federal e um lutador de jiu-jitsu, formaram uma equipe de elite e imediatamente decidiram agir. A cerimônia foi interrompida e outros policiais que estavam na festa ajudaram os convidados a encontrar abrigos seguros para se protegerem dos tiros.

 

"Até então, o som dos tiros estava longe. Aí teve uma batida e o último disparo já parecia que estava dentro do salão. Foi muito alto. Nesse momento, a gente começa a se olhar. E é como se ligasse um sistema. É o Ciclo OODA - treinamento militar que conta com quatro etapas: observar, orientar, decidir e agir - qualquer situação de crise você vai passar por esse ciclo, mesmo que de forma inconsciente", contou o noivo.

 

Por conta de sua carreira como oficial do Batalhão de Choque da Polícia Militar, Prujansky estava preparado para situações como aquela. Em sua 'equipe de elite' estavam o capitão Ronald Cadar, do Batalhão de Operações Especiais (Bope), o tenente Luiz Felipe Alvarez e os sargentos Tavares e Ângelo, além do policial rodoviário federal Rodrigo Nunes e do atleta Laercio Neves.

Parte desse grupo seguiu na direção dos tiros, na entrada do salão de festas. Segundo Prujansky, o objetivo era proteger os convidados do casamento.

 

"Eu observo que o problema está lá fora, mas que está próximo. Eu pensei 'vou ao encontro desses caras antes que eles entrem no salão'. Os meus bens mais preciosos estão aqui. Eu decido ir na direção do problema. Mais da metade dos convidados eram do Batalhão de Choque e do Bope. A gente não pensou em ser herói. A gente queria proteger o local", contou Rodrigo Prujansky.

 

 

Rastro de sangue e prisão

 

Os militares descobriram um carro batido próximo ao muro do condomínio. O veículo estava em fuga e os policiais de serviço informaram que dois homens haviam deixado o carro e trocaram tiros com eles. Os criminosos fugiram para o condomínio. Um dos bandidos foi baleado e morreu no local.

A 'equipe' de Prujansky, localizou rapidamente um rastro de sangue, que os levou até um muro lateral do condomínio, por onde os criminosos fugiram novamente.

Contudo, assim que chegaram do outro lado, os bandidos bateram de frente com uma viatura. Por conta do cerco feito por Prujansky e sua equipe, eles não conseguiram retornar para o condomínio e acabaram presos pela PM do lado de fora.

Cena de cinema e ato de bravura

 

A vida dos policiais militares no Rio de Janeiro é repleta de confrontos com criminosos armados, operações em terrenos dominados e muitos perigos. Mas a situação filmada durante o seu casamento, não foi a maior cena de ação registrada por uma câmera na vida de Rodrigo Prujansky.

 

 

 

Informações//G1